Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Mattüs
Mattüs – besta do submundo das antiartes e agitos psicoquímicos - é uma aberração natural de Palmeira dos Índios (AL) e habita o underground maceioense há mais de uma década. A figura surgiu na literatura através do universo dos fanzines, sendo editor do grotesco zine marginal “Spermental” (2006-2013), “O Novo Pagão”, “Histórias pra Belzebu Dormir” e colaborador dezenas de outros zines com malucos de todo o país. Em 2016, lançou “O Beco das Almas Famintas” pela Livrinho de Papel Finíssimo Editora, a obra é um romance recheado de fábulas escatológicas que deram origem à “massacrelândia tropical” em que suas histórias pútridas são ambientadas: neste livro-inferno são abertas as portas da Cidade Sereia, uma pequenina metrópole sanguinária que odeia os miseráveis e está disfarçada de Califórnia brasileira, um reino de caos, diversão e destruição persiste, tornando-se um dos temas chave na narrativa de “A Febre do Infinito” (2018), segundo romance do autor.
O monstro também é roteirista/produtor da degenerada “Scoria Filmes”, produtora filmes trash/experimentais nascida há mais de uma década e com cerca de 10 trabalhos; dentre eles, os curtas “Psychodemia” (2009), “O Panorama da Carne” (2013) e o média metragem “Surf Kaeté” (2015). Não satisfeito em destruir a dignidade da literatura e do cinema, Mattüs ainda participa do projeto antimusical “Power of The Nóia”, antibanda que carrega quase uma dezena de lançamentos recheados de insucessos.




Frutos de uma Existência Falida (Gore Gore Love II)

E ela não respondeu. Muito pelo contrário, começou a tremer o corpo e quando abri meus olhos o inferno estava feito: havia sangue na cama… Pussy me olhava fixamente segurando forte o cabelo da puta. Quando olhei para Briggy percebi toda a realidade. Uma faca de mesa estava cravada em sua jugular. O sangue jorrava sem piedade e o corpo continuava tremendo:
– Puta que pariu! Você está louca? O que porra você fez?
– Agora o joguinho é meu. Não sei o porquê de estar fazendo essa cara. Sabes muito bem que nossos prazeres carnais não exigem que ela esteja viva… Agora dê um jeito de acabar com essa porcaria…
Eu não entendia aquilo. Minha mulher nunca tinha surtado dessa forma antes. Ela estava louca. Não sabia o que fazer, mas eu precisava dar um fim nessa trágica situação. Corri no quarto ao lado e em menos de um minuto voltei empunhado da primeira coisa que achei: um martelo para amaciar carne. Amoleci seu crânio sem nenhuma piedade em batidas firmes. Bastaram três marretadas para acabar com sua agonia. O ato estava consumado. Olhei para Pussy e novamente pedi motivos:
– Só me diga uma coisa. Por que tudo isso?
– Porque eu te amo!
– O quê? Você me ama fazendo uma loucura dessas?
– Sei que você a trouxe para salvar nosso casamento, para nos unir. Agora estamos juntos por ela. Temos um segredo e nosso amor está de volta. Recuperamos nossa essência e nosso prazer está em alta, precisávamos disso. Essa mulher trouxe nossa realidade à tona: despertei meu sadismo com ela para podermos ter nosso amor novamente e agora tudo vai melhorar entre nós… Eu sei disso! E agora quero te amar como nunca!
– Na final das contas te acho louca! E também te amo!
O que fizemos seria correto? Seríamos loucos? Pensei nisso momentaneamente e percebo que eu havia voltado a minha antiga natureza. Meu amor por Pussy havia sido salvo pelo sangue derramado… Estávamos vivos novamente, em chamas. A morte também despertava um viço em minha pessoa. Eu olhava para aquele cadáver e sentia vida nele, sentia o calor do seu sangue fresco. E tenho certeza que minha amada ia dar continuidade ao nosso momento de glória. Olhei para seus olhos e como que num ato telepático percebi que agora era o momento de continuarmos nosso ritual amoroso. Virei o corpo de frente: ela estava linda em nossa cama. Pussy continuava sentada na cabeceira. Fui até lá e lhe dei um beijo em homenagem ao nosso sentimento (agora eternizado). Fiquei aos pés da cama. Abri bem as pernas da defunta e fui por cima do seu formoso corpo. Introduzi meu pau em sua ainda molhada vagina e recomecei a foder, mas agora havia sentimento, havia amor. Olhei para minha querida mulher e dei um sorriso.
Desci a vista para a doce Briggy e olhei fundo em seus belos olhos opacos. Sua face sangrando me comovia. Não sentia asco de sua pessoa e sim agradecimento, porque ela realmente havia nos dado a noite mais inesquecível de nossas vidas.

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Mattüs
Frutos de uma Existência Falida (Gore Gore Love II)

E ela não respondeu. Muito pelo contrário, começou a tremer o corpo e quando abri meus olhos o inferno estava feito: havia sangue na cama… Pussy me olhava fixamente segurando forte o cabelo da puta. Quando olhei para Briggy percebi toda a realidade. Uma faca de mesa estava cravada em sua jugular. O sangue jorrava sem piedade e o corpo continuava tremendo:
– Puta que pariu! Você está louca? O que porra você fez?
– Agora o joguinho é meu. Não sei o porquê de estar fazendo essa cara. Sabes muito bem que nossos prazeres carnais não exigem que ela esteja viva… Agora dê um jeito de acabar com essa porcaria…
Eu não entendia aquilo. Minha mulher nunca tinha surtado dessa forma antes. Ela estava louca. Não sabia o que fazer, mas eu precisava dar um fim nessa trágica situação. Corri no quarto ao lado e em menos de um minuto voltei empunhado da primeira coisa que achei: um martelo para amaciar carne. Amoleci seu crânio sem nenhuma piedade em batidas firmes. Bastaram três marretadas para acabar com sua agonia. O ato estava consumado. Olhei para Pussy e novamente pedi motivos:
– Só me diga uma coisa. Por que tudo isso?
– Porque eu te amo!
– O quê? Você me ama fazendo uma loucura dessas?
– Sei que você a trouxe para salvar nosso casamento, para nos unir. Agora estamos juntos por ela. Temos um segredo e nosso amor está de volta. Recuperamos nossa essência e nosso prazer está em alta, precisávamos disso. Essa mulher trouxe nossa realidade à tona: despertei meu sadismo com ela para podermos ter nosso amor novamente e agora tudo vai melhorar entre nós… Eu sei disso! E agora quero te amar como nunca!
– Na final das contas te acho louca! E também te amo!
O que fizemos seria correto? Seríamos loucos? Pensei nisso momentaneamente e percebo que eu havia voltado a minha antiga natureza. Meu amor por Pussy havia sido salvo pelo sangue derramado… Estávamos vivos novamente, em chamas. A morte também despertava um viço em minha pessoa. Eu olhava para aquele cadáver e sentia vida nele, sentia o calor do seu sangue fresco. E tenho certeza que minha amada ia dar continuidade ao nosso momento de glória. Olhei para seus olhos e como que num ato telepático percebi que agora era o momento de continuarmos nosso ritual amoroso. Virei o corpo de frente: ela estava linda em nossa cama. Pussy continuava sentada na cabeceira. Fui até lá e lhe dei um beijo em homenagem ao nosso sentimento (agora eternizado). Fiquei aos pés da cama. Abri bem as pernas da defunta e fui por cima do seu formoso corpo. Introduzi meu pau em sua ainda molhada vagina e recomecei a foder, mas agora havia sentimento, havia amor. Olhei para minha querida mulher e dei um sorriso.
Desci a vista para a doce Briggy e olhei fundo em seus belos olhos opacos. Sua face sangrando me comovia. Não sentia asco de sua pessoa e sim agradecimento, porque ela realmente havia nos dado a noite mais inesquecível de nossas vidas.

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