Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Maycon Guedes
Maycon Guedes, 32 anos, é de São Paulo e escreve contos macabros. Está em processo de escrita de sua primeira antologia chamada '13 Contos Fúnebres'. Apaixonado por cinema, música, vida noturna e artes em geral. Aspirante a cineasta.









O Berro da Roseira

Ah, como eu poderia esquecer aquela cruz de ferro que ardia em chamas. Tudo é muito apavorante, e eu só queria ir para o meu aposento, mas aquele rosto… aquele rosto camuflado na roseira, envolto por rosas e espinhos, me observando e me impedindo de entrar no meu quarto. Aquele rosto vermelho me paralisou com seu olhar penetrante e intimidador; enormes olhos negros, sem esclera, havia somente a escuridão naquele olhar. Se o demônio tem um rosto, era aquele rosto na roseira; um rosto humano, porém, de outra dimensão. Como esquecer o momento em que ele abriu sua enorme boca deixando aparente as trevas que havia em seu interior? Eu nunca vi uma visão tão maldita como aquela. E o berro que aquele rosto deu, ecoando por todo o cemitério, abrindo cada vez mais sua boca tenebrosa, berrando em agonia, um berro ardido seguido por um som idêntico a uma buzina de navio. Vamos lá, eu preciso voltar ao meu aposento, afinal, sou o coveiro deste cemitério; devo enfrentar qualquer assombração. Vamos, você consegue, coragem! Falta pouco, só mais alguns segundos e eu vou estar em meu quarto. Mas que diabos é aquilo na minha porta? Por que aquele vulto está apontando naquela direção? Pelo jeito ele não vai me deixar entrar. Tudo bem… vou jogar o seu joguinho… eu vou em direção ao local que ele está apontando. Ele está me seguindo, não sei se corro. Tente não demonstrar medo, apenas obedeça. Não deixe o vulto furioso. Bom, parece ser aqui o local que ele aponta. Por qual motivo ele me trouxe até esta sepultura? Não! Não! Isso não é verdade! Isso é impossível! Estão de brincadeira comigo? Parem de rir, parem! Seus desgraçados! Eu sou o coveiro daqui, enterrei três pessoas hoje à tarde, como posso estar morto há cinco dias? Quem colocou o meu nome nesta lápide? Eu não estou morto! Não estou! Não!!!

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Maycon Guedes
O Berro da Roseira

Ah, como eu poderia esquecer aquela cruz de ferro que ardia em chamas. Tudo é muito apavorante, e eu só queria ir para o meu aposento, mas aquele rosto… aquele rosto camuflado na roseira, envolto por rosas e espinhos, me observando e me impedindo de entrar no meu quarto. Aquele rosto vermelho me paralisou com seu olhar penetrante e intimidador; enormes olhos negros, sem esclera, havia somente a escuridão naquele olhar. Se o demônio tem um rosto, era aquele rosto na roseira; um rosto humano, porém, de outra dimensão. Como esquecer o momento em que ele abriu sua enorme boca deixando aparente as trevas que havia em seu interior? Eu nunca vi uma visão tão maldita como aquela. E o berro que aquele rosto deu, ecoando por todo o cemitério, abrindo cada vez mais sua boca tenebrosa, berrando em agonia, um berro ardido seguido por um som idêntico a uma buzina de navio. Vamos lá, eu preciso voltar ao meu aposento, afinal, sou o coveiro deste cemitério; devo enfrentar qualquer assombração. Vamos, você consegue, coragem! Falta pouco, só mais alguns segundos e eu vou estar em meu quarto. Mas que diabos é aquilo na minha porta? Por que aquele vulto está apontando naquela direção? Pelo jeito ele não vai me deixar entrar. Tudo bem… vou jogar o seu joguinho… eu vou em direção ao local que ele está apontando. Ele está me seguindo, não sei se corro. Tente não demonstrar medo, apenas obedeça. Não deixe o vulto furioso. Bom, parece ser aqui o local que ele aponta. Por qual motivo ele me trouxe até esta sepultura? Não! Não! Isso não é verdade! Isso é impossível! Estão de brincadeira comigo? Parem de rir, parem! Seus desgraçados! Eu sou o coveiro daqui, enterrei três pessoas hoje à tarde, como posso estar morto há cinco dias? Quem colocou o meu nome nesta lápide? Eu não estou morto! Não estou! Não!!!

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