Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Maycon Guedes
Maycon Guedes, 32 anos, é de São Paulo e escreve contos macabros. Está em processo de escrita de sua primeira antologia chamada '13 Contos Fúnebres'. Apaixonado por cinema, música, vida noturna e artes em geral. Aspirante a cineasta.









O Caixão na Estrada

   Enquanto a conversa fluía, Marisa se acalmava; ela quase não sentia mais medo daquele objeto fúnebre que estava bem diante dos teus pés. Mas essa calma não durou muito tempo e o pavor tomou posse de seu corpo que tremia incessantemente, tudo isso porque Dario teve a brilhante idéia de chutar o caixão, fazendo com que seu pé penetrasse dentro da madeira podre, deixando um buraco suficientemente grande para que um enorme rato negro e cabeçudo saísse de lá emitindo sons como se fosse um monstro do inferno. A criatura zarpou para o matagal e um cheiro terrível começou a exalar do rombo que ficou no caixão. Dario e Marisa decidiram sair daquele lugar o mais depressa possível, mas as coisas só pioraram. Os olhos do casal jamais se arregalaram tanto como naquele momento; uma forte dor no peito e uma dificuldade para respirar atingiu Dario enquanto ele observava o caixão se movimentando sozinho, como se alguém tentasse sair lá de dentro. A partir daquele momento, Dario teve a certeza de que tinha alguém vivo ali, e deixando o medo de lado, se aproximou para abrir de vez aquele caixão. Marisa ficou de longe observando Dario quebrar a tampa com os próprios pés. Enfim, puderam ver o cadáver que se encontrava ali dentro, totalmente podre e emanando cada vez mais aquele forte cheiro. Sem entender muito bem tudo aquilo que estava acontecendo, Marisa se aproximou com um lençol que ela tirou de dentro da bolsa. O lençol que seria usado para cobrir seu corpo na sua primeira noite na casa de Dario, agora cobria o defunto que estava no caixão. 

 

   “Pelo menos se o nosso namoro durar vamos ter uma ótima história pra contar no futuro” – Dario pronunciou essas palavras com o objetivo de acalmar Marisa, e logo em seguida ele tomou o maior susto enquanto Marisa gritava apavorada apontando o dedo na direção do matagal; graças a iluminação da Lua eles avistaram um outro caixão flutuando no ar, rente as árvores, não muito longe da estrada onde eles estavam. Quando eles voltaram a atenção para o cadáver que estava no caixão, notaram que aquele ser agora estava sentado, ainda coberto pelo lençol, respirando forte pela boca e fazendo com que o pano branco se movesse lentamente enquanto o defunto soltava o ar. Em seguida, o ser cadavérico começou a dizer essas estranhas palavras: “Dois velórios! Dois velórios!” – e conforme ele repetia, sua voz ficava cada vez mais “rasgada”, emitindo agora sons parecidos com o de um porco no abate, e ele continuava: “Dois velórios! Dois velórios! Dois velórios!”, em sincronia com sua risada maléfica. O defunto se levantou e o lençol deslizou lentamente até o chão, deixando à mostra aquela face sorridente e medonha; era o próprio rosto de Satanás na forma de um cadáver. 

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Maycon Guedes
O Caixão na Estrada

   Enquanto a conversa fluía, Marisa se acalmava; ela quase não sentia mais medo daquele objeto fúnebre que estava bem diante dos teus pés. Mas essa calma não durou muito tempo e o pavor tomou posse de seu corpo que tremia incessantemente, tudo isso porque Dario teve a brilhante idéia de chutar o caixão, fazendo com que seu pé penetrasse dentro da madeira podre, deixando um buraco suficientemente grande para que um enorme rato negro e cabeçudo saísse de lá emitindo sons como se fosse um monstro do inferno. A criatura zarpou para o matagal e um cheiro terrível começou a exalar do rombo que ficou no caixão. Dario e Marisa decidiram sair daquele lugar o mais depressa possível, mas as coisas só pioraram. Os olhos do casal jamais se arregalaram tanto como naquele momento; uma forte dor no peito e uma dificuldade para respirar atingiu Dario enquanto ele observava o caixão se movimentando sozinho, como se alguém tentasse sair lá de dentro. A partir daquele momento, Dario teve a certeza de que tinha alguém vivo ali, e deixando o medo de lado, se aproximou para abrir de vez aquele caixão. Marisa ficou de longe observando Dario quebrar a tampa com os próprios pés. Enfim, puderam ver o cadáver que se encontrava ali dentro, totalmente podre e emanando cada vez mais aquele forte cheiro. Sem entender muito bem tudo aquilo que estava acontecendo, Marisa se aproximou com um lençol que ela tirou de dentro da bolsa. O lençol que seria usado para cobrir seu corpo na sua primeira noite na casa de Dario, agora cobria o defunto que estava no caixão. 

 

   “Pelo menos se o nosso namoro durar vamos ter uma ótima história pra contar no futuro” – Dario pronunciou essas palavras com o objetivo de acalmar Marisa, e logo em seguida ele tomou o maior susto enquanto Marisa gritava apavorada apontando o dedo na direção do matagal; graças a iluminação da Lua eles avistaram um outro caixão flutuando no ar, rente as árvores, não muito longe da estrada onde eles estavam. Quando eles voltaram a atenção para o cadáver que estava no caixão, notaram que aquele ser agora estava sentado, ainda coberto pelo lençol, respirando forte pela boca e fazendo com que o pano branco se movesse lentamente enquanto o defunto soltava o ar. Em seguida, o ser cadavérico começou a dizer essas estranhas palavras: “Dois velórios! Dois velórios!” – e conforme ele repetia, sua voz ficava cada vez mais “rasgada”, emitindo agora sons parecidos com o de um porco no abate, e ele continuava: “Dois velórios! Dois velórios! Dois velórios!”, em sincronia com sua risada maléfica. O defunto se levantou e o lençol deslizou lentamente até o chão, deixando à mostra aquela face sorridente e medonha; era o próprio rosto de Satanás na forma de um cadáver. 

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