Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Maycon Guedes
Maycon Guedes, 32 anos, é de São Paulo e escreve contos macabros. Está em processo de escrita de sua primeira antologia chamada '13 Contos Fúnebres'. Apaixonado por cinema, música, vida noturna e artes em geral. Aspirante a cineasta.









O Caixão na Estrada

   O destino do caixão flutuante era óbvio: o cemitério daquela maldita vila. Enquanto o caixão vagava em meio às árvores do matagal, o defunto ia se livrando cada vez mais do corpo de Dario, ficando apenas com a cabeça do jovem e atirando todo o resto do seu corpo para fora do caixão. Dario só conseguia focar na terrível dor de ter o corpo separado de sua cabeça e ainda continuar vivo; a dor era insuportável e ele gritava implorando pela morte. Ao se aproximar do cemitério, a cabeça de Dario foi erguida para que ele pudesse ver o que acontecia naquele local, ficando perplexo com a quantidade de caixões flutuando no interior do cemitério; alguns caixões saíam apressados de lá, indo em direção à velha estrada em busca de mais vítimas. Assim que o caixão de Dario pousou dentro do cemitério, o defunto saiu carregando sua cabeça, caminhando entre os túmulos e deixando que o jovem pudesse ver e ouvir os gritos de desespero; Dario não era o único a estar naquele estado, ao seu redor, diversas pessoas desmembradas eram carregadas por defuntos. Era inacreditável a quantidade de caixões flutuando, a quantidade de defuntos gargalhando maleficamente, e a quantidade de pessoas sofrendo de dor por terem seus corpos destroçados. Caixões subiam para o céu enquanto outros chegavam carregando restos de mais pessoas – uma sinistra coleta fúnebre. No centro do cemitério uma enorme cova estava sendo aberta, e ao redor, os defuntos repetiam as palavras ‘Dois Velórios!’, enquanto as cabeças, incluindo a de Dario, eram arremessadas para dentro daquela cova gigante e profunda. Nada se via ali dentro, era escuridão total, e naquele momento, em meio a tantos gritos de desespero, Dario entendeu de vez que passaria a eternidade naquele buraco, dividindo o sofrimento eterno com aquelas pobres pessoas.

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Maycon Guedes
O Caixão na Estrada

   O destino do caixão flutuante era óbvio: o cemitério daquela maldita vila. Enquanto o caixão vagava em meio às árvores do matagal, o defunto ia se livrando cada vez mais do corpo de Dario, ficando apenas com a cabeça do jovem e atirando todo o resto do seu corpo para fora do caixão. Dario só conseguia focar na terrível dor de ter o corpo separado de sua cabeça e ainda continuar vivo; a dor era insuportável e ele gritava implorando pela morte. Ao se aproximar do cemitério, a cabeça de Dario foi erguida para que ele pudesse ver o que acontecia naquele local, ficando perplexo com a quantidade de caixões flutuando no interior do cemitério; alguns caixões saíam apressados de lá, indo em direção à velha estrada em busca de mais vítimas. Assim que o caixão de Dario pousou dentro do cemitério, o defunto saiu carregando sua cabeça, caminhando entre os túmulos e deixando que o jovem pudesse ver e ouvir os gritos de desespero; Dario não era o único a estar naquele estado, ao seu redor, diversas pessoas desmembradas eram carregadas por defuntos. Era inacreditável a quantidade de caixões flutuando, a quantidade de defuntos gargalhando maleficamente, e a quantidade de pessoas sofrendo de dor por terem seus corpos destroçados. Caixões subiam para o céu enquanto outros chegavam carregando restos de mais pessoas – uma sinistra coleta fúnebre. No centro do cemitério uma enorme cova estava sendo aberta, e ao redor, os defuntos repetiam as palavras ‘Dois Velórios!’, enquanto as cabeças, incluindo a de Dario, eram arremessadas para dentro daquela cova gigante e profunda. Nada se via ali dentro, era escuridão total, e naquele momento, em meio a tantos gritos de desespero, Dario entendeu de vez que passaria a eternidade naquele buraco, dividindo o sofrimento eterno com aquelas pobres pessoas.

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