Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Murilo Salini
Da membrana de podridão; ácida e pegajosa, que meu encéfalo envolve; brotam minhas palavras.
Mas como espinhos, não flores.
Só há nesse universo coisa única a desabrochar... O caos.
A semente cancerosa se aprova e se propaga, ignorando o fato de que o exame que acusa o seu fardo se dá diante do espelho.
Ponha os olhos nos meus nódulos malditos; nos meus filhos, “crianças subversivas”; no meu rastro fumegante absolvido pela eternidade; e logo se dará a incisão.
Com um estilhaço de espelho
Hei de sua mente explorar
E como num sopro de estrelas em morte
Amiga estranheza irei semear






Imber Sanguis

Uma constelação de verrugas embaixo do olho esquerdo, contrastando com a acne saliente que ocupava dos cantos superiores da testa às margens da sua boca, olhos amarelados com pupilas disformes, um sorriso afiado apesar dos dentes, todos pontiagudos, amarelados e em decomposição.

Lázaro possuía em seus ombros e suas costas, tumores que cresceram como cogumelos, em direção ao sol. Cada um possuía pelo menos 35cm de comprimento, da carne dura até as suas extremidades. Extremidades de um formato que beirava o esférico mas distanciava-se do oval. As vilosidades expressivas por toda extensão do tumor, junto do muco cancerígeno esverdeado de cheiro pútrido originavam a impressão de que Lázaro possuía super olhos remelentos nos seus ombros e costas, e não um resquício da bomba Eterna.

“Ande pela rodovia por 15 horas e você verá dois enormes campos de crucificação, um em cada lado da estrada. Entre na via paralela e repouse. Siga por mais 3 horas em direção ao nascer do Sol. Quando a fumaça for visível, siga em sua direção. ”
Minha intuição dizia-me que o campo de crucificação não tardaria a ser visível. Meti o pé por mais 40 minutos até que avistei.
Campos de crucificação, a herança sangrenta das práticas religiosas cristãs. O céu a cima daquele lugar era avermelhado. Nuvens alaranjadas cuspiam relâmpagos e gritavam antes que convertessem o peso das suas existências em um choro torrencial de sangue.

Pessoas convencidas geralmente pelos seus genitores de que estávamos vivendo um certo “estado de purgatório” por sermos ruins desde o momento da concepção de nossas vidas, passaram a organizar mutirões de crucificação, oferecendo seus próprios corpos e o de crianças entre 7 e 10 anos, como sacrifício para alguma forma de vida superior que teoricamente zelava pela vida neste planeta.

Ha! Eu gostava mesmo era de partir os crânios desses otários com o meu machado.

Sai do carro, e olhei para o horizonte de decadência. Murmúrios de dor, gritos e cânticos religiosos habitavam cada partícula de ar daquele lugar. Dormir perto daquela merda não era nem de perto uma opção válida.

“Vai ser foder Lázaro!”

Entrei na tal paralela e segui reto. Eu me considerava um cara bem-sucedido em termos de conhecimentos geográficos e baseado na direção do pôr do sol, o qual percebi ser tardio naquela região estranha, segui no sentido contrário.
Em certo ponto deste longo trajeto o qual eu havia percorrido com poucas paradas pela ansiedade de chegar ao meu destino, avistei no horizonte a fumaça que me serviria como guia.

Percorri uma estrada estreita cheia de pedregulhos por cerca de 300m e logo me deparei com fim repentino da mesma. A estrada acabava em um campo tomado por gramíneas secas amareladas e logo a frente uma manta expressiva de samambaias vigorosas provocou-me dúvidas quanto a intensidade do desejo por chegar ao lugar desconhecido.

Páginas: 1 2 3 4 5

Murilo Salini
Imber Sanguis

Uma constelação de verrugas embaixo do olho esquerdo, contrastando com a acne saliente que ocupava dos cantos superiores da testa às margens da sua boca, olhos amarelados com pupilas disformes, um sorriso afiado apesar dos dentes, todos pontiagudos, amarelados e em decomposição.

Lázaro possuía em seus ombros e suas costas, tumores que cresceram como cogumelos, em direção ao sol. Cada um possuía pelo menos 35cm de comprimento, da carne dura até as suas extremidades. Extremidades de um formato que beirava o esférico mas distanciava-se do oval. As vilosidades expressivas por toda extensão do tumor, junto do muco cancerígeno esverdeado de cheiro pútrido originavam a impressão de que Lázaro possuía super olhos remelentos nos seus ombros e costas, e não um resquício da bomba Eterna.

“Ande pela rodovia por 15 horas e você verá dois enormes campos de crucificação, um em cada lado da estrada. Entre na via paralela e repouse. Siga por mais 3 horas em direção ao nascer do Sol. Quando a fumaça for visível, siga em sua direção. ”
Minha intuição dizia-me que o campo de crucificação não tardaria a ser visível. Meti o pé por mais 40 minutos até que avistei.
Campos de crucificação, a herança sangrenta das práticas religiosas cristãs. O céu a cima daquele lugar era avermelhado. Nuvens alaranjadas cuspiam relâmpagos e gritavam antes que convertessem o peso das suas existências em um choro torrencial de sangue.

Pessoas convencidas geralmente pelos seus genitores de que estávamos vivendo um certo “estado de purgatório” por sermos ruins desde o momento da concepção de nossas vidas, passaram a organizar mutirões de crucificação, oferecendo seus próprios corpos e o de crianças entre 7 e 10 anos, como sacrifício para alguma forma de vida superior que teoricamente zelava pela vida neste planeta.

Ha! Eu gostava mesmo era de partir os crânios desses otários com o meu machado.

Sai do carro, e olhei para o horizonte de decadência. Murmúrios de dor, gritos e cânticos religiosos habitavam cada partícula de ar daquele lugar. Dormir perto daquela merda não era nem de perto uma opção válida.

“Vai ser foder Lázaro!”

Entrei na tal paralela e segui reto. Eu me considerava um cara bem-sucedido em termos de conhecimentos geográficos e baseado na direção do pôr do sol, o qual percebi ser tardio naquela região estranha, segui no sentido contrário.
Em certo ponto deste longo trajeto o qual eu havia percorrido com poucas paradas pela ansiedade de chegar ao meu destino, avistei no horizonte a fumaça que me serviria como guia.

Percorri uma estrada estreita cheia de pedregulhos por cerca de 300m e logo me deparei com fim repentino da mesma. A estrada acabava em um campo tomado por gramíneas secas amareladas e logo a frente uma manta expressiva de samambaias vigorosas provocou-me dúvidas quanto a intensidade do desejo por chegar ao lugar desconhecido.

Páginas: 1 2 3 4 5