Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Murilo Salini
Da membrana de podridão; ácida e pegajosa, que meu encéfalo envolve; brotam minhas palavras.
Mas como espinhos, não flores.
Só há nesse universo coisa única a desabrochar... O caos.
A semente cancerosa se aprova e se propaga, ignorando o fato de que o exame que acusa o seu fardo se dá diante do espelho.
Ponha os olhos nos meus nódulos malditos; nos meus filhos, “crianças subversivas”; no meu rastro fumegante absolvido pela eternidade; e logo se dará a incisão.
Com um estilhaço de espelho
Hei de sua mente explorar
E como num sopro de estrelas em morte
Amiga estranheza irei semear






Imber Sanguis

Corri e soquei a porta com ódio, gotejando mais uma vez o licor de minha alma na boca pútrida da Esperança.

A porta se abriu.

Quatro fogueiras enormes distribuídas a pelo menos 2 metros de cada vértice do galpão e cerca de vinte tochas suportadas por encaixes nas paredes laterais iluminavam a cena que até então, este relativamente jovem caçador de registros, não creditava possibilidade a concepção.

Havia pelo menos 80 pessoas naquele lugar. Todos inebriados, não por compostos extraídos de raízes, mas por uma energia tão presente naquela merda de lugar que meus olhos foram capazes de distinguir distorções nos espaços vagos.

Todas untadas com uma espécie de pó amarelado, nus, manchadas de sangue da testa às canelas, sangue próprio, e do próximo. Uma orgia satânica regada com entranhas e violência. Transitei entre os corpos copulantes, paralisado mentalmente.

Uma enciclopédia de feições cunhada na dor e no prazer.

Conforme circulava pela periferia do galpão, alguns rostos voltavam-se a mim como olhares odiosos. Algumas daquelas pessoas gritavam enquanto corriam em minha direção e tentavam rasgar as minhas roupas. Elas me mordiam, e depois me lambiam. Eu as esfaqueava.

No centro da sodomia uma movimentação descomunal, ao menos três rodas de danças, uma contida na outra, protegiam o que parecia ser a “atração principal”, o ápice do prazer daquelas mentes corroídas pela fé.

A curiosidade me afetou, mas não eu não tive coragem para andar até centro e atravessar a roda para sacia-la. Avistei em um dos vértices uma escada de madeira que dava acesso ao que parecia ser um depósito de feno. Subi a escada rapidamente, tentando passar desapercebido.

De trás dos fenos direcionei meu olhar, já estarrecido, para o centro da estrutura, e o que vi provocou-me vomito e lágrimas.

No centro do galpão havia uma criatura enorme, tão grande quanto um touro havia se tornado com os efeitos da bomba eterna. A forma daquela criatura era como uma rocha, a base achatada e superfície angulada, mas a consistência da mesma era visivelmente adiposa e macia. Ele não possuía olhos, mas possuía em seu centro uma fenda por onde emitia sons cavernosos, mantras e gritos agudos. A sua pele lembrava o couro de um animal atingido pela sarna, coberto por saliências rugosas e áspero.

A criatura possuía em torno de si seis saliências brancas expressivas em tamanho, e embaixo das saliências seis orifícios. Os praticantes da orgia revezavam-se em introduzir, acariciar e penetrar os elementos. A feição dos envolvidos no momento da cópula demoníaca era de completa plenitude e satisfação.

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Murilo Salini
Imber Sanguis

Corri e soquei a porta com ódio, gotejando mais uma vez o licor de minha alma na boca pútrida da Esperança.

A porta se abriu.

Quatro fogueiras enormes distribuídas a pelo menos 2 metros de cada vértice do galpão e cerca de vinte tochas suportadas por encaixes nas paredes laterais iluminavam a cena que até então, este relativamente jovem caçador de registros, não creditava possibilidade a concepção.

Havia pelo menos 80 pessoas naquele lugar. Todos inebriados, não por compostos extraídos de raízes, mas por uma energia tão presente naquela merda de lugar que meus olhos foram capazes de distinguir distorções nos espaços vagos.

Todas untadas com uma espécie de pó amarelado, nus, manchadas de sangue da testa às canelas, sangue próprio, e do próximo. Uma orgia satânica regada com entranhas e violência. Transitei entre os corpos copulantes, paralisado mentalmente.

Uma enciclopédia de feições cunhada na dor e no prazer.

Conforme circulava pela periferia do galpão, alguns rostos voltavam-se a mim como olhares odiosos. Algumas daquelas pessoas gritavam enquanto corriam em minha direção e tentavam rasgar as minhas roupas. Elas me mordiam, e depois me lambiam. Eu as esfaqueava.

No centro da sodomia uma movimentação descomunal, ao menos três rodas de danças, uma contida na outra, protegiam o que parecia ser a “atração principal”, o ápice do prazer daquelas mentes corroídas pela fé.

A curiosidade me afetou, mas não eu não tive coragem para andar até centro e atravessar a roda para sacia-la. Avistei em um dos vértices uma escada de madeira que dava acesso ao que parecia ser um depósito de feno. Subi a escada rapidamente, tentando passar desapercebido.

De trás dos fenos direcionei meu olhar, já estarrecido, para o centro da estrutura, e o que vi provocou-me vomito e lágrimas.

No centro do galpão havia uma criatura enorme, tão grande quanto um touro havia se tornado com os efeitos da bomba eterna. A forma daquela criatura era como uma rocha, a base achatada e superfície angulada, mas a consistência da mesma era visivelmente adiposa e macia. Ele não possuía olhos, mas possuía em seu centro uma fenda por onde emitia sons cavernosos, mantras e gritos agudos. A sua pele lembrava o couro de um animal atingido pela sarna, coberto por saliências rugosas e áspero.

A criatura possuía em torno de si seis saliências brancas expressivas em tamanho, e embaixo das saliências seis orifícios. Os praticantes da orgia revezavam-se em introduzir, acariciar e penetrar os elementos. A feição dos envolvidos no momento da cópula demoníaca era de completa plenitude e satisfação.

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