Planeta Cronos - Murilo Salini
Murilo Salini
Da membrana de podridão; ácida e pegajosa, que meu encéfalo envolve; brotam minhas palavras.
Mas como espinhos, não flores.
Só há nesse universo coisa única a desabrochar... O caos.
A semente cancerosa se aprova e se propaga, ignorando o fato de que o exame que acusa o seu fardo se dá diante do espelho.
Ponha os olhos nos meus nódulos malditos; nos meus filhos, “crianças subversivas”; no meu rastro fumegante absolvido pela eternidade; e logo se dará a incisão.
Com um estilhaço de espelho
Hei de sua mente explorar
E como num sopro de estrelas em morte
Amiga estranheza irei semear






Planeta Cronos

Ao retornar pelo caminho chegando no local, os animais ali se alimentavam, e logo em seguida, após sentirem-se satisfeitos, marchavam em direção ao sacrifício.

Sentei-me nos calcanhares e observei o processo por um dia inteiro sem piscar os olhos. Após a assídua observação e algumas horas de reflexão, constatei que aquele planeta, por algum motivo vivia como um predador.

Como todos os outros planetas, nutria-se das formas de vida que nele habitavam; porém não de forma passiva absorvendo os restos e nutrientes entregues a terra a qual seria sua epiderme e mais tarde renovando-se por meio das marés, vulcões etc; mas de forma ativa, produzindo em seu “peito” uma pastagem onde somente os animais mais velhos e que possuem descendentes se alimentavam, mergulhavam em uma espécie de transe, seguiam pelo caminho até o queixo e estagnavam na boca do planeta, e este, se saciava.

A forma mais primitiva de equilíbrio que presenciei em minhas viagens.

Como Cronos, aquele planeta predava as próprias crias. E creio que ainda por isso, não se constituiu forma de vida carnívora entre a fauna local.

Tempos depois considerei a possibilidade de que o sacrifício seja acordado entre o indivíduo, animal neste caso, e o planeta, no momento da concepção do primeiro. Não fosse assim, o destino seria o mesmo, porém mais cruel, os seres vivos seriam vítimas e não almas adaptadas a um ciclo natural harmônico daquela realidade.

 

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Murilo Salini
Planeta Cronos

Ao retornar pelo caminho chegando no local, os animais ali se alimentavam, e logo em seguida, após sentirem-se satisfeitos, marchavam em direção ao sacrifício.

Sentei-me nos calcanhares e observei o processo por um dia inteiro sem piscar os olhos. Após a assídua observação e algumas horas de reflexão, constatei que aquele planeta, por algum motivo vivia como um predador.

Como todos os outros planetas, nutria-se das formas de vida que nele habitavam; porém não de forma passiva absorvendo os restos e nutrientes entregues a terra a qual seria sua epiderme e mais tarde renovando-se por meio das marés, vulcões etc; mas de forma ativa, produzindo em seu “peito” uma pastagem onde somente os animais mais velhos e que possuem descendentes se alimentavam, mergulhavam em uma espécie de transe, seguiam pelo caminho até o queixo e estagnavam na boca do planeta, e este, se saciava.

A forma mais primitiva de equilíbrio que presenciei em minhas viagens.

Como Cronos, aquele planeta predava as próprias crias. E creio que ainda por isso, não se constituiu forma de vida carnívora entre a fauna local.

Tempos depois considerei a possibilidade de que o sacrifício seja acordado entre o indivíduo, animal neste caso, e o planeta, no momento da concepção do primeiro. Não fosse assim, o destino seria o mesmo, porém mais cruel, os seres vivos seriam vítimas e não almas adaptadas a um ciclo natural harmônico daquela realidade.

 

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