Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Pancho Belo Romariz
Há muito tempo, uma criança uniu a solidão e a perda à humanidade.
Ultimamente, é um espectro mortal.





Der Tod

“Olá, velha amiga.

Posso ouvir-te cantando ao meu ouvido mesmo ouvindo o canto de Isolda. Vens com tuas vestes de noiva, mas, indago-me, por quê? Se sempre vi-te só por toda eternidade? Por onde anda o teu amado? Teu prometido, teu sonhado?  Flutuas calmamente conforme é executada Oh König, das kann ich dir nicht sagen e tuas vestes balançam consoante o vento noturno deste dia. Eis o meu anjo com vestes de noiva. Alegras meu coração com a tua presença, sabes por quê? Sempre vens com teu toque delicado ao meu rosto, quando as lágrimas que não existem deveriam rolar. E abraças-me com tuas mãos perfeitas e me beijas com teus lábios macios e frios. Eu sei que desejas-me. E eu. Eu não temo tua face inocular. Ora! Quantos aqui olham e não vêem? Nem a ausência de teus pés! Quantos pés levaram corpos inteiros a caminhos tortuosos? Para mim és um lembrete do passado, do presente e do futuro. Sempre que vens, estou frágil e só – tocas o meu rosto, aparas minha tristeza. Sou grato. Quando torno a garrafa que me acompanha e o grito de Tristan se eleva, eu percebo: é grande a dor que sentes em não me ver junto a ti, sinto tua solidão que é minha também. Ambos estamos fadados ao eterno querer inalcançável, não é? Queres alguém contigo e não me terás novamente. É triste. E eu? Também o sou.”

“Olá, velha amiga.

Posso ouvir-te cantando ao meu ouvido mesmo ouvindo o canto de Isolda. Vens com tuas vestes de noiva, mas, indago-me, por quê? Se sempre vi-te só por toda eternidade? Por onde anda o teu amado? Teu prometido, teu sonhado?  Flutuas calmamente conforme é executada Oh König, das kann ich dir nicht sagen e tuas vestes balançam consoante o vento noturno deste dia. Eis o meu anjo com vestes de noiva. Alegras meu coração com a tua presença, sabes por quê? Sempre vens com teu toque delicado ao meu rosto, quando as lágrimas que não existem deveriam rolar. E abraças-me com tuas mãos perfeitas e me beijas com teus lábios macios e frios. Eu sei que desejas-me. E eu. Eu não temo tua face inocular. Ora! Quantos aqui olham e não vêem? Nem a ausência de teus pés! Quantos pés levaram corpos inteiros a caminhos tortuosos? Para mim és um lembrete do passado, do presente e do futuro. Sempre que vens, estou frágil e só – tocas o meu rosto, aparas minha tristeza. Sou grato. Quando torno a garrafa que me acompanha e o grito de Tristan se eleva, eu percebo: é grande a dor que sentes em não me ver junto a ti, sinto tua solidão que é minha também. Ambos estamos fadados ao eterno querer inalcançável, não é? Queres alguém contigo e não me terás novamente. É triste. E eu? Também o sou.”