Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Rodrigo A. Leonardi
Rodrigo A. Leonardi, fanático por literatura maldita e contos góticos. Desenhista técnico, cinéfilo. Como Músico ja fui baixista/vocalista e principal compositor da banda death grind Abuso Verbal. Colecionador de tudo que é interessante. Comecei a pegar gosto em escrever, quando li "O Capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio", de Bukowski, em um sórdido verão de 2011. Tenho um canal no YT, onde faço entrevistas com bandas autorais e começaremos em breve a fazer documentários sobre diversos temas, sempre voltado a música pesada e a cultura alternativa.






O CASO DA RUA 46

Talvez, voltando um pouco e me corrigindo, talvez conhecia Celestina de outrora. Mas digo talvez pelo fato de me aprofundar em minha mente, bem lá no fundo, resgatando algumas memorias apagadas. Talvez me lembre de alguma coisa. Coisa pessoal. Posso ter visto ela em algum supermercado, me esbarrado com ela. Mas o meu talvez é um pouco mais profundo. Profundo do nível de ela ter me marcado de alguma forma, mesmo que por um instante. Antes de reconhecer ela no hospital. Me aprofundando no caso da Rua 46 como disse anteriormente, as poucas informações que se acha em jornais arquivados na biblioteca, não aparece Celestina. Ela morou lá depois do tal fato ter se desencadeado. Morou tempo bastante para enlouquecer. Cerca de um ano.

            Conversando com um senhor no bar da esquina, me disse que Celestina veio morar com o filho naquela casa, depois de se divorciar. Morava na cidade grande, veio pra cá para se esconder de um marido ciumento, violento. Era uma jovem na época, cabelos loiros, estatura média e muito calada. Sempre calada, nem bom dia dava, fazendo com que a população atrasada da cidade a visse como uma esnobe. Mas o senhor me disse coisas boas sobre ela. Tivera algumas vezes em sua casa para o conserto de mobílias, ela sempre dava gorjetas e oferecia algo que estava cozinhando, sempre muito simpática. Mas o fato é, o que levou celestina para o hospital psiquiátrico? o que levou a ficar louca? E seu filho? Por onde anda? Sinceramente, não sei a resposta, mas com certeza saberei. Me aprofundando cada vez mais nesse caso, e em Celestina.

…………………….

Já passava das seis da tarde quando tentei um contato por telefone com o hospital psiquiátrico. Telefone tocava diversas vezes e ninguém atendia. Precisava falar com Celestina. Precisava dar um jeito. Talvez fizesse amizade com algum médico novo que trabalhava lá. Os médicos mais velhos não vão me falar nada, se Celestina tiver razão, eles estariam escondendo algo, então descartei a possibilidade. Peguei uma folha de papel em branco e resolvi tornar essa pesquisa mais séria. Escrevi na mesma, “O caso da Rua 46“, liguei com um risco na vertical, até quase no meio da folha, escrevi “Celestina“. Fiz diversos traços, cerca de oito, talvez menos, entre o primeiro nome até o segundo, eram as incógnitas do meu caso. Pensei em como conseguiria informações. Talvez fosse pra a cidade vizinha, cerca de cento e cinquenta quilômetros, onde era maior. As pessoas lá eram modernas, suficiente para não ser iguais as daqui. Talvez encontrasse algo lá. Talvez.

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Rodrigo A. Leonardi
O CASO DA RUA 46

Talvez, voltando um pouco e me corrigindo, talvez conhecia Celestina de outrora. Mas digo talvez pelo fato de me aprofundar em minha mente, bem lá no fundo, resgatando algumas memorias apagadas. Talvez me lembre de alguma coisa. Coisa pessoal. Posso ter visto ela em algum supermercado, me esbarrado com ela. Mas o meu talvez é um pouco mais profundo. Profundo do nível de ela ter me marcado de alguma forma, mesmo que por um instante. Antes de reconhecer ela no hospital. Me aprofundando no caso da Rua 46 como disse anteriormente, as poucas informações que se acha em jornais arquivados na biblioteca, não aparece Celestina. Ela morou lá depois do tal fato ter se desencadeado. Morou tempo bastante para enlouquecer. Cerca de um ano.

            Conversando com um senhor no bar da esquina, me disse que Celestina veio morar com o filho naquela casa, depois de se divorciar. Morava na cidade grande, veio pra cá para se esconder de um marido ciumento, violento. Era uma jovem na época, cabelos loiros, estatura média e muito calada. Sempre calada, nem bom dia dava, fazendo com que a população atrasada da cidade a visse como uma esnobe. Mas o senhor me disse coisas boas sobre ela. Tivera algumas vezes em sua casa para o conserto de mobílias, ela sempre dava gorjetas e oferecia algo que estava cozinhando, sempre muito simpática. Mas o fato é, o que levou celestina para o hospital psiquiátrico? o que levou a ficar louca? E seu filho? Por onde anda? Sinceramente, não sei a resposta, mas com certeza saberei. Me aprofundando cada vez mais nesse caso, e em Celestina.

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Já passava das seis da tarde quando tentei um contato por telefone com o hospital psiquiátrico. Telefone tocava diversas vezes e ninguém atendia. Precisava falar com Celestina. Precisava dar um jeito. Talvez fizesse amizade com algum médico novo que trabalhava lá. Os médicos mais velhos não vão me falar nada, se Celestina tiver razão, eles estariam escondendo algo, então descartei a possibilidade. Peguei uma folha de papel em branco e resolvi tornar essa pesquisa mais séria. Escrevi na mesma, “O caso da Rua 46“, liguei com um risco na vertical, até quase no meio da folha, escrevi “Celestina“. Fiz diversos traços, cerca de oito, talvez menos, entre o primeiro nome até o segundo, eram as incógnitas do meu caso. Pensei em como conseguiria informações. Talvez fosse pra a cidade vizinha, cerca de cento e cinquenta quilômetros, onde era maior. As pessoas lá eram modernas, suficiente para não ser iguais as daqui. Talvez encontrasse algo lá. Talvez.

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