Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Rodrigo A. Leonardi
Rodrigo A. Leonardi, fanático por literatura maldita e contos góticos. Desenhista técnico, cinéfilo. Como Músico ja fui baixista/vocalista e principal compositor da banda death grind Abuso Verbal. Colecionador de tudo que é interessante. Comecei a pegar gosto em escrever, quando li "O Capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio", de Bukowski, em um sórdido verão de 2011. Tenho um canal no YT, onde faço entrevistas com bandas autorais e começaremos em breve a fazer documentários sobre diversos temas, sempre voltado a música pesada e a cultura alternativa.






O CASO DA RUA 46

            Podia ser a coisa certa a se fazer. Porém, resolvi tentar mesmo sabendo dos resultados, falar com alguém daqui primeiro. Talvez fosse ao bar, tomasse umas e começasse com essa conversa devagar, não tenho muitas chances, pois se alguém não gostar, na segunda vez eles vão me evitar.

            Mas pensando bem, o dono do bar é meu amigo. Um senhor na faixa dos sessenta e poucos. Há quarenta tem esse bar, no mesmo local. Acho que vai ser uma boa.

Senhor Timóteo.

Homem respeitado, no qual se considerava por ser bem sucedido, sinônimo pra ele de ter uma família, filhos educados e trabalhadores. Comerciante antigo, talvez um dos mais velhos da cidade. Viu de tudo, sabe das histórias. Na verdade, não me lembro se algum dia perguntei para Timóteo algo sobre o caso. Mas não importa. O sentido da negação vindo de outros eu já tenho. Já que quero entrar de cabeça e matar minha curiosidade sobre o caso, tenho que fazer. E porque não Timóteo? Ele gosta de mim. Quando andava desempregado, ajudei ele no bar várias vezes, em troca de uns pileques.

Quando estou pensando sobre esse caso, acredito que seja algo sobrenatural. Talvez não seja. Mas o porquê de Celestina estar louca? Muitas perguntas sem respostas na minha cabeça. Posso entrar em um buraco sem fundo por essa minha curiosidade. Posso estar fazendo algo errado. Mas não consigo, tenho que saber…

…………………

Bem, se vou conversar com Timóteo, resolvi que teria que ser logo.

Me apressei, coloquei uma jaqueta, era inverno. Um frio ameno corria junto com o vento que balançava arvores e arrancava as lindas margaridas plantadas na praça principal.

Quando cheguei ao bar, estava vazio, apenas com alguns homens em uma mesa descarregando seus cansaços em copos fartos de destilados baratos.

Avistei sua careca brilhosa assim que entrei. Chamei em voz alta seu nome e dei um tapa no balcão. Ele me olhou.

Olhou com olhos arregalados, fazia tempo que não me via. Tempo suficiente para que ele ficasse com estranheza e uma certa surpresa.

– Como está velho?

– Vou-me bem, e tu? Por onde andaste meu rapaz.

-Por aí. Preciso conversar com o senhor. Sei que ninguém gosta de saber ou falar disso, mas preciso. O senhor é meu amigo, respeita esses valores, então por favor, me ajude.

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Rodrigo A. Leonardi
O CASO DA RUA 46

            Podia ser a coisa certa a se fazer. Porém, resolvi tentar mesmo sabendo dos resultados, falar com alguém daqui primeiro. Talvez fosse ao bar, tomasse umas e começasse com essa conversa devagar, não tenho muitas chances, pois se alguém não gostar, na segunda vez eles vão me evitar.

            Mas pensando bem, o dono do bar é meu amigo. Um senhor na faixa dos sessenta e poucos. Há quarenta tem esse bar, no mesmo local. Acho que vai ser uma boa.

Senhor Timóteo.

Homem respeitado, no qual se considerava por ser bem sucedido, sinônimo pra ele de ter uma família, filhos educados e trabalhadores. Comerciante antigo, talvez um dos mais velhos da cidade. Viu de tudo, sabe das histórias. Na verdade, não me lembro se algum dia perguntei para Timóteo algo sobre o caso. Mas não importa. O sentido da negação vindo de outros eu já tenho. Já que quero entrar de cabeça e matar minha curiosidade sobre o caso, tenho que fazer. E porque não Timóteo? Ele gosta de mim. Quando andava desempregado, ajudei ele no bar várias vezes, em troca de uns pileques.

Quando estou pensando sobre esse caso, acredito que seja algo sobrenatural. Talvez não seja. Mas o porquê de Celestina estar louca? Muitas perguntas sem respostas na minha cabeça. Posso entrar em um buraco sem fundo por essa minha curiosidade. Posso estar fazendo algo errado. Mas não consigo, tenho que saber…

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Bem, se vou conversar com Timóteo, resolvi que teria que ser logo.

Me apressei, coloquei uma jaqueta, era inverno. Um frio ameno corria junto com o vento que balançava arvores e arrancava as lindas margaridas plantadas na praça principal.

Quando cheguei ao bar, estava vazio, apenas com alguns homens em uma mesa descarregando seus cansaços em copos fartos de destilados baratos.

Avistei sua careca brilhosa assim que entrei. Chamei em voz alta seu nome e dei um tapa no balcão. Ele me olhou.

Olhou com olhos arregalados, fazia tempo que não me via. Tempo suficiente para que ele ficasse com estranheza e uma certa surpresa.

– Como está velho?

– Vou-me bem, e tu? Por onde andaste meu rapaz.

-Por aí. Preciso conversar com o senhor. Sei que ninguém gosta de saber ou falar disso, mas preciso. O senhor é meu amigo, respeita esses valores, então por favor, me ajude.

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