Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Rodrigo A. Leonardi
Rodrigo A. Leonardi, fanático por literatura maldita e contos góticos. Desenhista técnico, cinéfilo. Como Músico ja fui baixista/vocalista e principal compositor da banda death grind Abuso Verbal. Colecionador de tudo que é interessante. Comecei a pegar gosto em escrever, quando li "O Capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio", de Bukowski, em um sórdido verão de 2011. Tenho um canal no YT, onde faço entrevistas com bandas autorais e começaremos em breve a fazer documentários sobre diversos temas, sempre voltado a música pesada e a cultura alternativa.






O CASO DA RUA 46

– Do que você está falando?

– O senhor sabe.

-Não. Não sei, não faço ideia. – disse o velho já ficando impaciente.

Timóteo não gostava de rodeios, gostava de ser direto, ou eu falava logo, ou ele poderia me mandar para aquele lugar.

– Sobre o caso da Rua 46. Preciso saber o que aconteceu lá.

-Olhe menino, (Aos olhos do senhor eu ainda era), não entendo essa curiosidade por uma coisa tão horrível.

-Quero saber mesmo assim, minha curiosidade. Talvez escreva um livro sobre esse assunto.

-Não sabia que tinha esse dom. mas lhe digo. Aquilo que aconteceu, não é nem um pouco agradável.

-Não imaginei que fosse, aliás, tenho certeza de que não é. Pois ninguém fala sobre isso.

-O povo resolveu esquecer. Apenas…

-Mas o senhor se lembra? Preciso saber.

-Lembro- suspirou o velho- não sei se devo mexer nesse passado, isso foi tão aterrorizante que as vezes dá medo. Mas vou lhe contar o que sei, o que lembro. Espere o bar fechar, aí conversamos aqui dentro. Só nos dois.

Concordei, pedi uma dose e fiquei ali vendo tevê, enquanto o recinto não fechava…

……………………………

Quando as portas do bar se fecharam, Timóteo veio, sentou ao meu lado. Perguntou o que estava procurando…

Respondi que estava apenas curioso, queria saber a qualquer custo.

Então ele disse para eu só procurar as respostas dentro de minha própria casa.

Fiquei sem entender. Indaguei, “como assim? “. Ele me disse de novo, as pessoas não querem falar disso, apenas com você.

-Essas conversas, não são ditas, apenas com você. É a decima vez que lhe falo isso. Celestina é sua mãe. Ela matou seu pai em um ritual, e antes que você me pergunte outra vez, você ainda mora naquela casa. Vou ter que ligar para o seu médico, não está ajudando em nada você fora do hospital. – disse Timóteo desanimado.

Analiso o que Timóteo falou. Não faz sentido para mim.

Ainda não me lembro. Ainda não acredito. Ainda estou atrás de uma outra versão desse caso…

 

 

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Rodrigo A. Leonardi
O CASO DA RUA 46

– Do que você está falando?

– O senhor sabe.

-Não. Não sei, não faço ideia. – disse o velho já ficando impaciente.

Timóteo não gostava de rodeios, gostava de ser direto, ou eu falava logo, ou ele poderia me mandar para aquele lugar.

– Sobre o caso da Rua 46. Preciso saber o que aconteceu lá.

-Olhe menino, (Aos olhos do senhor eu ainda era), não entendo essa curiosidade por uma coisa tão horrível.

-Quero saber mesmo assim, minha curiosidade. Talvez escreva um livro sobre esse assunto.

-Não sabia que tinha esse dom. mas lhe digo. Aquilo que aconteceu, não é nem um pouco agradável.

-Não imaginei que fosse, aliás, tenho certeza de que não é. Pois ninguém fala sobre isso.

-O povo resolveu esquecer. Apenas…

-Mas o senhor se lembra? Preciso saber.

-Lembro- suspirou o velho- não sei se devo mexer nesse passado, isso foi tão aterrorizante que as vezes dá medo. Mas vou lhe contar o que sei, o que lembro. Espere o bar fechar, aí conversamos aqui dentro. Só nos dois.

Concordei, pedi uma dose e fiquei ali vendo tevê, enquanto o recinto não fechava…

……………………………

Quando as portas do bar se fecharam, Timóteo veio, sentou ao meu lado. Perguntou o que estava procurando…

Respondi que estava apenas curioso, queria saber a qualquer custo.

Então ele disse para eu só procurar as respostas dentro de minha própria casa.

Fiquei sem entender. Indaguei, “como assim? “. Ele me disse de novo, as pessoas não querem falar disso, apenas com você.

-Essas conversas, não são ditas, apenas com você. É a decima vez que lhe falo isso. Celestina é sua mãe. Ela matou seu pai em um ritual, e antes que você me pergunte outra vez, você ainda mora naquela casa. Vou ter que ligar para o seu médico, não está ajudando em nada você fora do hospital. – disse Timóteo desanimado.

Analiso o que Timóteo falou. Não faz sentido para mim.

Ainda não me lembro. Ainda não acredito. Ainda estou atrás de uma outra versão desse caso…

 

 

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