Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
S. C. Mendes
Estudante de Artes Visuais na cidade de Piracicaba – SP. Apaixonada por livros desde que se entende por gente, trabalhou por um tempo com projetos de RPG e dedicou alguns anos de sua vida no estudo de literatura com ênfase em terror, suspense, mitologia, folclore e filosofia existencialista.
Se inspira em autores como Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, Charles Dickens, Shirley Jackson, Agatha Christie, Fiódor Dostoievski e Albert Camus.







A Bruxa no rio

Existe uma lenda sobre o rio que corta minha cidade. De tempos em tempos uma bruxa aparece pelas redondezas em seu barco, roubando a alma daqueles que a encarem nos olhos.

Quando mais jovem lembro-me que nossos avós sempre nos alertavam e pediam para nunca passar de madrugada por aquele local, evidentemente com a intenção de nos aterrorizar. Por toda minha vida duvidei, até o dia em que eu passeava à beira do rio numa madrugada nebulosa, estava um pouco embriagado e caminhava sem rumo por entre às árvores. Ouvi então um chiado estranho vindo de algum ponto do rio, como um pássaro batendo suas asas e emitindo um som rouco, uma pequena luz se aproximava junto ao barulho.

Era um barco se aproximando aos poucos, dentro havia uma silhueta feminina sentada segurando algum tipo de lampião onde um corvo estava empoleirado, fiquei paralisado. Conforme se aproximava pude perceber que se tratava de uma senhora, com longos cabelos acinzentados e um rosto cadavérico coberto por rugas. Subitamente virou o rosto em minha direção, abrindo seus olhos, que pareciam duas covas negras sem vida.

Essas foram as últimas lembranças que tive antes de perceber que meu corpo não estava mais ali. Agora a única vista que tenho através desse pote de vidro, é a da sala dessa terrível criatura, onde outras almas gritam por socorro.

S. C. Mendes
A Bruxa no rio

Existe uma lenda sobre o rio que corta minha cidade. De tempos em tempos uma bruxa aparece pelas redondezas em seu barco, roubando a alma daqueles que a encarem nos olhos.

Quando mais jovem lembro-me que nossos avós sempre nos alertavam e pediam para nunca passar de madrugada por aquele local, evidentemente com a intenção de nos aterrorizar. Por toda minha vida duvidei, até o dia em que eu passeava à beira do rio numa madrugada nebulosa, estava um pouco embriagado e caminhava sem rumo por entre às árvores. Ouvi então um chiado estranho vindo de algum ponto do rio, como um pássaro batendo suas asas e emitindo um som rouco, uma pequena luz se aproximava junto ao barulho.

Era um barco se aproximando aos poucos, dentro havia uma silhueta feminina sentada segurando algum tipo de lampião onde um corvo estava empoleirado, fiquei paralisado. Conforme se aproximava pude perceber que se tratava de uma senhora, com longos cabelos acinzentados e um rosto cadavérico coberto por rugas. Subitamente virou o rosto em minha direção, abrindo seus olhos, que pareciam duas covas negras sem vida.

Essas foram as últimas lembranças que tive antes de perceber que meu corpo não estava mais ali. Agora a única vista que tenho através desse pote de vidro, é a da sala dessa terrível criatura, onde outras almas gritam por socorro.