Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
S. C. Mendes
Estudante de Artes Visuais na cidade de Piracicaba – SP. Apaixonada por livros desde que se entende por gente, trabalhou por um tempo com projetos de RPG e dedicou alguns anos de sua vida no estudo de literatura com ênfase em terror, suspense, mitologia, folclore e filosofia existencialista.
Se inspira em autores como Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, Charles Dickens, Shirley Jackson, Agatha Christie, Fiódor Dostoievski e Albert Camus.







Por entre as árvores

das estrelas ou das cidades. Mas naquele momento a odiava com todas as forças, não havia luz nenhuma ali, por vezes até o fogo parecia ser engolido por trevas. Aos poucos fui me afastando daquele som, embora sempre me sentisse sendo observada, talvez por aquelas sombras que ainda via se

deslocando no breu por vezes, então eu tentava usar um pouco da lógica para manter nos pensamentos que poderia ser só um efeito causado pela oscilação da chama, o que também era estranho pois ela oscilava muito em alguns momentos e em outros não. Levando em conta a falta da presença de vento ali, era algo em que não queria refletir no momento.

Quando imaginei estar livre do barulho, ele começou a ecoar novamente, desta vez como se estivesse se movendo na mesma direção que eu. Optei então por achar algum lugar para me esconder, não importando o que fosse já que só poderia oferecer perigo. Com muita dificuldade me encolhi entre duas árvores e permaneci no escuro, tentando me misturar com a escuridão, buscando conforto em alguma oração proferida mentalmente. Aquilo ia se aproximando aos poucos de uma maneira descoordenada, até chegar ao mesmo local que eu me encontrava, não se ouvia o barulho de passos; apenas a entonação; o volume não estava alto, porém era perceptível a proximidade mesmo que estivesse a uma distância segura. Controlei a respiração e permaneci imóvel, até ele desaparecer lentamente conforme seguia seu caminho, e não se ouviu mais nada nos arredores.

Fechei os olhos por um breve momento, encontrei a imagem da mulher, um nome me veio à tona: Isabel. Mas Isabel estava viva em meu sonho lúcido, caminhava na escuridão, foi quando olhou para mim e riu então sangue começou a escorrer de sua cabeça. Abri os olhos, estava cercada novamente pelo silêncio, me levantei e acendi o isqueiro mais uma vez. Olhei bem ao redor, não havia sinal de nada nem ninguém, analisei mais uma vez o local por segurança.

Encontrei então um rastro de fita ali, que por sorte levavam ao caminho oposto ao que os passos seguiram, isso poderia ser tanto minha salvação quanto meu azar, eu poderia encontrar uma saída dali ou mais um corpo. Com a mão livre segurei nela e fui seguindo o caminho, de qualquer forma era a única esperança. As pessoas que ali entravam as vezes tinham o costume de marcar o caminho com fitas para não se perder na floresta, caso desistissem da ideia da morte.

As dores de cabeça não cessaram, mas variavam de intensidade, quanto mais intensas mais eu me aprofundava nas memórias perdidas, eu tinha que ligar cada uma delas como um grande quebra-cabeça, mesmo que antes faltassem as peças mais importantes, agora elas começavam a ser descobertas aos poucos. Meu sentimento diante disso era de dor, angústia e loucura, mas as coisas começaram a fazer sentido para mim. Conforme avançava no caminho, que parecia não ter fim, veio a preocupação com a duração de minha única fonte de luz, apesar daquele local ser tão macabro a ponto de fazer uma pessoa perder a noção do tempo e espaço, do momento em que acordei até aquele não deveria ter transcorrido nem três horas.

Mal poderia saber se estava de fato rumo à uma saída ou se estava me perdendo, tentei manter a fé, mesmo com todos os sentimentos ruins me devorando de dentro para fora. As lembranças cada vez mais vívidas iam surgindo aos poucos, até que apenas uma peça estivesse faltando, mas agora eu poderia imaginar como ela era, então não lutaria mais para lembrar.

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S. C. Mendes
Por entre as árvores

das estrelas ou das cidades. Mas naquele momento a odiava com todas as forças, não havia luz nenhuma ali, por vezes até o fogo parecia ser engolido por trevas. Aos poucos fui me afastando daquele som, embora sempre me sentisse sendo observada, talvez por aquelas sombras que ainda via se

deslocando no breu por vezes, então eu tentava usar um pouco da lógica para manter nos pensamentos que poderia ser só um efeito causado pela oscilação da chama, o que também era estranho pois ela oscilava muito em alguns momentos e em outros não. Levando em conta a falta da presença de vento ali, era algo em que não queria refletir no momento.

Quando imaginei estar livre do barulho, ele começou a ecoar novamente, desta vez como se estivesse se movendo na mesma direção que eu. Optei então por achar algum lugar para me esconder, não importando o que fosse já que só poderia oferecer perigo. Com muita dificuldade me encolhi entre duas árvores e permaneci no escuro, tentando me misturar com a escuridão, buscando conforto em alguma oração proferida mentalmente. Aquilo ia se aproximando aos poucos de uma maneira descoordenada, até chegar ao mesmo local que eu me encontrava, não se ouvia o barulho de passos; apenas a entonação; o volume não estava alto, porém era perceptível a proximidade mesmo que estivesse a uma distância segura. Controlei a respiração e permaneci imóvel, até ele desaparecer lentamente conforme seguia seu caminho, e não se ouviu mais nada nos arredores.

Fechei os olhos por um breve momento, encontrei a imagem da mulher, um nome me veio à tona: Isabel. Mas Isabel estava viva em meu sonho lúcido, caminhava na escuridão, foi quando olhou para mim e riu então sangue começou a escorrer de sua cabeça. Abri os olhos, estava cercada novamente pelo silêncio, me levantei e acendi o isqueiro mais uma vez. Olhei bem ao redor, não havia sinal de nada nem ninguém, analisei mais uma vez o local por segurança.

Encontrei então um rastro de fita ali, que por sorte levavam ao caminho oposto ao que os passos seguiram, isso poderia ser tanto minha salvação quanto meu azar, eu poderia encontrar uma saída dali ou mais um corpo. Com a mão livre segurei nela e fui seguindo o caminho, de qualquer forma era a única esperança. As pessoas que ali entravam as vezes tinham o costume de marcar o caminho com fitas para não se perder na floresta, caso desistissem da ideia da morte.

As dores de cabeça não cessaram, mas variavam de intensidade, quanto mais intensas mais eu me aprofundava nas memórias perdidas, eu tinha que ligar cada uma delas como um grande quebra-cabeça, mesmo que antes faltassem as peças mais importantes, agora elas começavam a ser descobertas aos poucos. Meu sentimento diante disso era de dor, angústia e loucura, mas as coisas começaram a fazer sentido para mim. Conforme avançava no caminho, que parecia não ter fim, veio a preocupação com a duração de minha única fonte de luz, apesar daquele local ser tão macabro a ponto de fazer uma pessoa perder a noção do tempo e espaço, do momento em que acordei até aquele não deveria ter transcorrido nem três horas.

Mal poderia saber se estava de fato rumo à uma saída ou se estava me perdendo, tentei manter a fé, mesmo com todos os sentimentos ruins me devorando de dentro para fora. As lembranças cada vez mais vívidas iam surgindo aos poucos, até que apenas uma peça estivesse faltando, mas agora eu poderia imaginar como ela era, então não lutaria mais para lembrar.

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