Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Wagner Nyhyhwh
Pedreiro das palavras
Contador de sandices
Criador de nadas
Wagner Nyhyhwh já nasceu e morreu incontáveis vezes. Em vidas passadas foi Wagner Nyhyw, Reverendo W. Van Baco, Fenilisipropilamina Man, WTD, etc. Sua última ressuscitação se deu em um experimento genético no planeta K da Aglomeração 20.9. A intenção dos kasianos era clonar um ser humano dentro do Programa de Estudos de Raças Inferiores, para posteriormente criar um exército de escravos. Este objetivo foi abandonado quando os cientistas concluíram que os humanos são limitados demais para servir como escravos. Assim, Nyhyhwh foi doado para famílias que procuravam bichos de estimação para adotar. Já na infância gostava de criar, imaginação muito fértil e pulsante. Constantemente confundia ficção com realidade, o que o levava rotineiramente para tratamentos em aldeias psiquiátricas. Adulto, decidiu se tornar escritor e viver pulando de uma aldeia psiquiátrica para outra. Apesar de nenhum de seus livros ser lido por ninguém, sua escrita passou a ser considerada criminosa e herege porque como escritor se proclamava Deus. Sua situação se agravou quando passou a ser rastreado pela polícia quântica, pois gostava de viajar no tempo e em universos paralelos, sem autorização, para colher inspirações para seus textos. Foi preso quando, numa dessas viagens, acabou, por acidente, destruindo por completo toda uma realidade alternativa. Julgado e condenado a ser um degredado. Banido para sempre da Aglomeração 20.9. Não apenas isso, sofreu a mais cruel das punições previstas no Tratado Penal Interdimensional: Viver no planeta Terra! Enviado para junto de seus iguais, a raça falida.
Desde então, perambula pelo submundo humano esperando a realização da Grande Profecia, o dia em que os Fudidos varrerão a Terra e a Sarjeta engolirá os salões de festas.
Enquanto isso, continua criando.
Vez ou outra ainda confunde ficção com realidade.

E-mail: wnyhyw@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/Nyhyhwh
Blog: partesforadotodo.blogspot.com.br






Cropoapocalipse- Parte 02

Pois é. Porcos são legais.

Às vezes preciso interromper meu passatempo para atender público ou alguma demanda dos chefes. Saco. “Queria renegociar essa dívida”, “Preciso de um novo empréstimo, mas num prazo maior”, “Vocês descontaram uma dívida que eu já quitei”. Haja saco para aturar as UC.

  1. 553. 554. 555. 556. 557. 558. 559. 560. 561.

Finalmente hora do almoço. Saio pra rua. Olho para o céu. Está nublado. Pra mim está sempre nublado. Mesmo nos dias de sol. Mesmo quando os raios ultravioletas estão mais violentos que nunca e nenhuma nuvem orbita o céu. Mesmo com sol a pino e exuberantes flores primaveris, mesmo com o calor despudorado e os sorrisos juvenis, pra mim o dia é sempre cinzento, está sempre nublado. Às vezes, quando entro em algum lugar, alguém me pergunta se está sol ou chovendo. Está nublado, é minha resposta. Às vezes, minha mãe, quando me liga do interior, pergunta como está o tempo por aqui. Está nublado, é o que sempre respondo.

O que dá pra fazer nessa hora obrigatória de almoço? Nada. Se temos algum compromisso, uma hora não dá pra resolver. Se não temos, almoçamos e voltamos pra prisão, nada a se fazer. Na rua, uma horrenda multidão sai pra almoçar ao mesmo tempo do interior de infinitos prédios comerciais e infestam todo o hipercentro da hipercidade. Impossível andar e não trombar com as UC. E pergunto: o que toda essa multidão faz o dia inteiro? Quantos deles realizam alguma atividade que agrega algum valor para o mundo? Ou para a própria humanidade? Cambada de inúteis em inúteis empregos de merda. É por isso que não são trabalhadores, são robotadores. E, como se não bastasse, ainda temos de desviar dos trocentos milhões de pombos catando lixo por todo lado e das intermináveis filas de carros que parecem uma colônia de vermes ziguezagueando ao redor das carniças.

Acho que odeio tudo que se move. Todos os seres vivos deviam ser como as plantas, sem a ambição de desgraçar tudo ao redor.

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Wagner Nyhyhwh
Cropoapocalipse- Parte 02

Pois é. Porcos são legais.

Às vezes preciso interromper meu passatempo para atender público ou alguma demanda dos chefes. Saco. “Queria renegociar essa dívida”, “Preciso de um novo empréstimo, mas num prazo maior”, “Vocês descontaram uma dívida que eu já quitei”. Haja saco para aturar as UC.

  1. 553. 554. 555. 556. 557. 558. 559. 560. 561.

Finalmente hora do almoço. Saio pra rua. Olho para o céu. Está nublado. Pra mim está sempre nublado. Mesmo nos dias de sol. Mesmo quando os raios ultravioletas estão mais violentos que nunca e nenhuma nuvem orbita o céu. Mesmo com sol a pino e exuberantes flores primaveris, mesmo com o calor despudorado e os sorrisos juvenis, pra mim o dia é sempre cinzento, está sempre nublado. Às vezes, quando entro em algum lugar, alguém me pergunta se está sol ou chovendo. Está nublado, é minha resposta. Às vezes, minha mãe, quando me liga do interior, pergunta como está o tempo por aqui. Está nublado, é o que sempre respondo.

O que dá pra fazer nessa hora obrigatória de almoço? Nada. Se temos algum compromisso, uma hora não dá pra resolver. Se não temos, almoçamos e voltamos pra prisão, nada a se fazer. Na rua, uma horrenda multidão sai pra almoçar ao mesmo tempo do interior de infinitos prédios comerciais e infestam todo o hipercentro da hipercidade. Impossível andar e não trombar com as UC. E pergunto: o que toda essa multidão faz o dia inteiro? Quantos deles realizam alguma atividade que agrega algum valor para o mundo? Ou para a própria humanidade? Cambada de inúteis em inúteis empregos de merda. É por isso que não são trabalhadores, são robotadores. E, como se não bastasse, ainda temos de desviar dos trocentos milhões de pombos catando lixo por todo lado e das intermináveis filas de carros que parecem uma colônia de vermes ziguezagueando ao redor das carniças.

Acho que odeio tudo que se move. Todos os seres vivos deviam ser como as plantas, sem a ambição de desgraçar tudo ao redor.

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