A casa - Wan Moura
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






A casa

Lançou o olhar em busca da criatura, mas ela havia desaparecido.

A dor no olho também o abandonou.

O garoto olhou para o relógio e viu que os ponteiros agora marcavam quatro da manhã.

Nunca entendeu como as visões funcionavam.

O salto das horas quando testemunhava alguma aparição era variável. O fato é que imaginava o tempo como algo irregular; como se as horas fossem uma lacuna que existe entre o que é, o que foi e o que será.

O menino engoliu em seco e fechou a janela. Não antes de dar mais uma olhadela para o outro lado da rua, logo além do gramado.

A Casa dos Albuquerque, onde nem os ratos ousavam entrar, estava lá vigiando-o. Ela que era dona de lendas e acontecimentos que ninguém desejaria testar a veracidade, ostentava dois cadáveres pendurados pelo pescoço.

Corpos carcomidos que vestiam retalhos de roupas.

Dois homens pelo que Breno percebeu.

Os olhos sem vida esbugalhados, a língua escapando da boca, o rosto inchado e escuro.

Breno fechou os olhos e conferiu até cinco.

Quando os abriu viu a casa mais próxima do asfalto. Flutuava sobre o gramado, se aproximava como a Morte.

Os enforcados gargalhavam diante do horror impresso no rosto de Breno. Balançavam num efeito pendular digno de um experiente acrobata.

Os lábios esticados num sorriso de escárnio frio deixavam à mostra lascas de dentes brotando de gengivas que esfarelavam ao vento, como folhas secas.

Breno fechou os olhos numa última tentativa de se livrar dos espectros e quando os abriu…

… haviam desaparecido.

 

(continua…)

 

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Wan Moura
A casa

Lançou o olhar em busca da criatura, mas ela havia desaparecido.

A dor no olho também o abandonou.

O garoto olhou para o relógio e viu que os ponteiros agora marcavam quatro da manhã.

Nunca entendeu como as visões funcionavam.

O salto das horas quando testemunhava alguma aparição era variável. O fato é que imaginava o tempo como algo irregular; como se as horas fossem uma lacuna que existe entre o que é, o que foi e o que será.

O menino engoliu em seco e fechou a janela. Não antes de dar mais uma olhadela para o outro lado da rua, logo além do gramado.

A Casa dos Albuquerque, onde nem os ratos ousavam entrar, estava lá vigiando-o. Ela que era dona de lendas e acontecimentos que ninguém desejaria testar a veracidade, ostentava dois cadáveres pendurados pelo pescoço.

Corpos carcomidos que vestiam retalhos de roupas.

Dois homens pelo que Breno percebeu.

Os olhos sem vida esbugalhados, a língua escapando da boca, o rosto inchado e escuro.

Breno fechou os olhos e conferiu até cinco.

Quando os abriu viu a casa mais próxima do asfalto. Flutuava sobre o gramado, se aproximava como a Morte.

Os enforcados gargalhavam diante do horror impresso no rosto de Breno. Balançavam num efeito pendular digno de um experiente acrobata.

Os lábios esticados num sorriso de escárnio frio deixavam à mostra lascas de dentes brotando de gengivas que esfarelavam ao vento, como folhas secas.

Breno fechou os olhos numa última tentativa de se livrar dos espectros e quando os abriu…

… haviam desaparecido.

 

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