Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






O doce aroma de sangue

— Diacho é isso?! O cav… — Um relincho agudo interrompe Paulo e antes que ele tome alguma atitude, um cavalo rompe uma das baias trazendo em seu flanco direito uma criatura. O equino emitia sons grotescos enquanto o monstro o eviscerava, fazendo-o tombar próximo aos ladrões. A dupla estava paralisada, assistindo o monstro penetrar na carcaça do cavalo e devorar ali os órgãos numa voracidade abominável. Paulo e Henrique ouviram os ossos do animal serem despedaçados e só voltaram a si, quando a criatura ressurgiu misturada a fezes e pedaços de intestino.

Os olhos da monstruosidade refletiram os dois ladrões assim que ele os notou. Sua altura — de aproximadamente um metro e meio — se reduziu ainda mais quando ele se agachou e com as garras enfincadas no chão, se impulsionou para cima. Paulo correu, mas Henrique não teve a mesma reação. Ele olhou a fera saltar e cair em sua direção. Olhava hipnotizado para aqueles espinhos cintilantes nas costas do monstro, e admirou ainda mais suas garras prateadas reluzindo no brilho da lua. E, quando finalmente o Chupa-Cabra cravou-se em seu tórax, Henrique sentiu a dor percorrer cada milímetro de seu corpo. A fera dilacerou sua carne, escavando seus músculos e estraçalhando-o a cada movimento. O monstro abriu sua bocarra e dela liberou um tentáculo recheado de dentes pontiagudos, cravando-o contra o pescoço de sua presa. A fera iniciou a sucção do sangue do ladrão, ao ponto de Paulo ouvir cada gole dado pela criatura. Ele parou sua fuga e viu Henrique murchar gradativamente, tendo a pele fendida como o chão do sertão. Paulo empunhou seu revólver e disparou a esmo, fazendo com que nenhuma das seis balas atingisse o alvo. Quando finalmente percebeu seu grave erro voltou a fugir, correndo em direção ao cemitério. Tentava escapar por seu atalho maldito.

Paulo tropeçou diversas vezes e a cada vez que se recuperava de um tombo, corria ainda mais. Suas têmporas latejavam como se seu crânio fosse implodir e suas pernas já começavam a falhar enquanto o aborto infernal terminava de se lambuzar nos restos mortais de seu amigo de infância. O ladrão pulou algumas covas e já estava a visualizar a caminhonete quando uma voz áspera rasgou a monotonia dos seus resfôlegos.

— Finarmente seu cabra da peste! Hoje tu vai abraçar o Capeta! — vociferou Damasceno, disparando uma chuva de chumbo que acertou o ombro de Paulo. O ladrão caiu de costas e viu a lua pálida como nunca. Seus ouvidos zumbiam como um enxame de abelhas e seu ombro latejou até ficar frio como um bloco de gelo. Antes de sua visão escurecer pra sempre, Paulo viu os dois canos da espingarda tocando a ponta de seu nariz e sentiu o frio metálico lhe possuir. O odor de suor pungente que se desprendia do corpo do velho lhe cedeu náuseas poderosas, assim como a horrível sensação em seu estômago causada pelo pavor de perder a vida.

— Quais tuas úrtimas palavra Fí do Diabo? — berrou o velho em meio a uma gargalhada onde seus dentes podres podiam ser vistos.

— Cui-da-do…. com o Chupa…

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Wan Moura
O doce aroma de sangue

— Diacho é isso?! O cav… — Um relincho agudo interrompe Paulo e antes que ele tome alguma atitude, um cavalo rompe uma das baias trazendo em seu flanco direito uma criatura. O equino emitia sons grotescos enquanto o monstro o eviscerava, fazendo-o tombar próximo aos ladrões. A dupla estava paralisada, assistindo o monstro penetrar na carcaça do cavalo e devorar ali os órgãos numa voracidade abominável. Paulo e Henrique ouviram os ossos do animal serem despedaçados e só voltaram a si, quando a criatura ressurgiu misturada a fezes e pedaços de intestino.

Os olhos da monstruosidade refletiram os dois ladrões assim que ele os notou. Sua altura — de aproximadamente um metro e meio — se reduziu ainda mais quando ele se agachou e com as garras enfincadas no chão, se impulsionou para cima. Paulo correu, mas Henrique não teve a mesma reação. Ele olhou a fera saltar e cair em sua direção. Olhava hipnotizado para aqueles espinhos cintilantes nas costas do monstro, e admirou ainda mais suas garras prateadas reluzindo no brilho da lua. E, quando finalmente o Chupa-Cabra cravou-se em seu tórax, Henrique sentiu a dor percorrer cada milímetro de seu corpo. A fera dilacerou sua carne, escavando seus músculos e estraçalhando-o a cada movimento. O monstro abriu sua bocarra e dela liberou um tentáculo recheado de dentes pontiagudos, cravando-o contra o pescoço de sua presa. A fera iniciou a sucção do sangue do ladrão, ao ponto de Paulo ouvir cada gole dado pela criatura. Ele parou sua fuga e viu Henrique murchar gradativamente, tendo a pele fendida como o chão do sertão. Paulo empunhou seu revólver e disparou a esmo, fazendo com que nenhuma das seis balas atingisse o alvo. Quando finalmente percebeu seu grave erro voltou a fugir, correndo em direção ao cemitério. Tentava escapar por seu atalho maldito.

Paulo tropeçou diversas vezes e a cada vez que se recuperava de um tombo, corria ainda mais. Suas têmporas latejavam como se seu crânio fosse implodir e suas pernas já começavam a falhar enquanto o aborto infernal terminava de se lambuzar nos restos mortais de seu amigo de infância. O ladrão pulou algumas covas e já estava a visualizar a caminhonete quando uma voz áspera rasgou a monotonia dos seus resfôlegos.

— Finarmente seu cabra da peste! Hoje tu vai abraçar o Capeta! — vociferou Damasceno, disparando uma chuva de chumbo que acertou o ombro de Paulo. O ladrão caiu de costas e viu a lua pálida como nunca. Seus ouvidos zumbiam como um enxame de abelhas e seu ombro latejou até ficar frio como um bloco de gelo. Antes de sua visão escurecer pra sempre, Paulo viu os dois canos da espingarda tocando a ponta de seu nariz e sentiu o frio metálico lhe possuir. O odor de suor pungente que se desprendia do corpo do velho lhe cedeu náuseas poderosas, assim como a horrível sensação em seu estômago causada pelo pavor de perder a vida.

— Quais tuas úrtimas palavra Fí do Diabo? — berrou o velho em meio a uma gargalhada onde seus dentes podres podiam ser vistos.

— Cui-da-do…. com o Chupa…

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