Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






O doce aroma de sangue

E um disparo ecoou na madrugada. As balas perfuraram simultaneamente o rosto de Paulo e o chão; seu cérebro se fragmentou junto com seu crânio, deixando um rastro de pólvora e sangue. Os projéteis estraçalharam o maxilar e esfarelaram a língua de Paulo, além de ter arrancado seu nariz. E antes de a mente dele abandoná-lo, fez disparar uma última sensação em seus neurônios lhe presenteando com uma dor colossal. Damasceno observou a massa encefálica de Paulo se misturar à terra e gargalhou quase sem fôlego pela alegria de poder voltar a foder todos os animais da fazenda. E daí que isso não fosse algo natural? Sua mãe já havia lhe alertado sobre isso quando criança, mas ele adorava penetrar as criaturas. Para ele, ejacular dentro daqueles corpos quentes era bem melhor do que na garota com quem casou. Ouvi-la gemer era ainda pior do que ter que costurar seus lábios toda vez que ela tentava bancar a espertinha, e ele sempre odiou gente esperta.

Damasceno puxou seu facão e o empunhou. A lâmina refletiu a imensa lua no céu, transformando-a num grande olho com catarata. O caseiro atacou com velocidade, sua intenção era esquartejar o ladrão e espalhar seus restos entre o cemitério e a fazenda, mas não teve chance. O caseiro viu quando o facão caiu sobre o cadáver de Paulo, ainda com sua mão direita o agarrando. Sua mente demorou processar a imagem, mas assim que se deu conta sentiu a dor lhe invadir a partir de seu pulso mutilado. Ele olhou descrente para o sangue que esguichava a cada pulsar de seu coração. Recuou alguns passos e tropeçou nos próprios pés quando viu o filho do demônio de pé sobre um túmulo com aqueles olhos cobiçando seu sangue e sua carne. O velho gritou de pavor, substituindo sua voz áspera por um grito quase infantil. Ele engatinhou na esperança de escapar da cilada que o destino lhe preparou e quando venceu a gravidade e a dor, ficou de pé e fugiu. Enquanto isso, o Chupa-Cabra se preocupava em apenas moer os ossos de Paulo, dilacerar sua carne e drenar todo seu sangue.

[…]

Cristina já havia lavado sua intimidade, livrando-se dos fluidos com odor de carniça que o velho impregnara em seu corpo quando ouviu Damasceno gritar. Ela olhou pelas frestas da janela e o viu cambalear em direção ao casebre e imediatamente trancou a porta colocando uma alavanca a escorando. Primeiro o caseiro implorou por misericórdia, mas ao ver que de nada adiantaria, iniciou seus xingamentos e ameaças de sempre. Cristina estava irredutível. Nunca mais aquele velho com aroma de carniça a tocaria ou a penetraria com aquele pau fodedor de animais novamente. Um sorriso tímido brotou em seus lábios feridos quando notou um pequeno vulto se aproximar banhado pela luz lunar. Ela saboreou o instante em que o Chupa-Cabra surgiu por trás de seu sequestrador e o derrubou. O monstro revelou suas garras e as enterrou nas costas do caseiro que urrou assim que seu rim foi arrebatado. A boca do ancião inundou-se com sangue e seus olhos congelaram-se fitando o céu como se buscassem uma salvação divina. A criatura expôs seu tentáculo dentado e perfurou o pescoço sujo do caseiro, iniciando imediatamente a sucção. O som do sangue sendo sorvido causou arrepios em Cristina, mas o prazer em ver Damasceno sucumbir era imensurável. A jovem observou o caseiro ser arrastado pela fera mata adentro enquanto ele murchava, gritando cada vez mais baixo até ter sua existência finalmente engolida pelo silêncio da madrugada mais quente daquele ano.

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Wan Moura
O doce aroma de sangue

E um disparo ecoou na madrugada. As balas perfuraram simultaneamente o rosto de Paulo e o chão; seu cérebro se fragmentou junto com seu crânio, deixando um rastro de pólvora e sangue. Os projéteis estraçalharam o maxilar e esfarelaram a língua de Paulo, além de ter arrancado seu nariz. E antes de a mente dele abandoná-lo, fez disparar uma última sensação em seus neurônios lhe presenteando com uma dor colossal. Damasceno observou a massa encefálica de Paulo se misturar à terra e gargalhou quase sem fôlego pela alegria de poder voltar a foder todos os animais da fazenda. E daí que isso não fosse algo natural? Sua mãe já havia lhe alertado sobre isso quando criança, mas ele adorava penetrar as criaturas. Para ele, ejacular dentro daqueles corpos quentes era bem melhor do que na garota com quem casou. Ouvi-la gemer era ainda pior do que ter que costurar seus lábios toda vez que ela tentava bancar a espertinha, e ele sempre odiou gente esperta.

Damasceno puxou seu facão e o empunhou. A lâmina refletiu a imensa lua no céu, transformando-a num grande olho com catarata. O caseiro atacou com velocidade, sua intenção era esquartejar o ladrão e espalhar seus restos entre o cemitério e a fazenda, mas não teve chance. O caseiro viu quando o facão caiu sobre o cadáver de Paulo, ainda com sua mão direita o agarrando. Sua mente demorou processar a imagem, mas assim que se deu conta sentiu a dor lhe invadir a partir de seu pulso mutilado. Ele olhou descrente para o sangue que esguichava a cada pulsar de seu coração. Recuou alguns passos e tropeçou nos próprios pés quando viu o filho do demônio de pé sobre um túmulo com aqueles olhos cobiçando seu sangue e sua carne. O velho gritou de pavor, substituindo sua voz áspera por um grito quase infantil. Ele engatinhou na esperança de escapar da cilada que o destino lhe preparou e quando venceu a gravidade e a dor, ficou de pé e fugiu. Enquanto isso, o Chupa-Cabra se preocupava em apenas moer os ossos de Paulo, dilacerar sua carne e drenar todo seu sangue.

[…]

Cristina já havia lavado sua intimidade, livrando-se dos fluidos com odor de carniça que o velho impregnara em seu corpo quando ouviu Damasceno gritar. Ela olhou pelas frestas da janela e o viu cambalear em direção ao casebre e imediatamente trancou a porta colocando uma alavanca a escorando. Primeiro o caseiro implorou por misericórdia, mas ao ver que de nada adiantaria, iniciou seus xingamentos e ameaças de sempre. Cristina estava irredutível. Nunca mais aquele velho com aroma de carniça a tocaria ou a penetraria com aquele pau fodedor de animais novamente. Um sorriso tímido brotou em seus lábios feridos quando notou um pequeno vulto se aproximar banhado pela luz lunar. Ela saboreou o instante em que o Chupa-Cabra surgiu por trás de seu sequestrador e o derrubou. O monstro revelou suas garras e as enterrou nas costas do caseiro que urrou assim que seu rim foi arrebatado. A boca do ancião inundou-se com sangue e seus olhos congelaram-se fitando o céu como se buscassem uma salvação divina. A criatura expôs seu tentáculo dentado e perfurou o pescoço sujo do caseiro, iniciando imediatamente a sucção. O som do sangue sendo sorvido causou arrepios em Cristina, mas o prazer em ver Damasceno sucumbir era imensurável. A jovem observou o caseiro ser arrastado pela fera mata adentro enquanto ele murchava, gritando cada vez mais baixo até ter sua existência finalmente engolida pelo silêncio da madrugada mais quente daquele ano.

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