Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






Rodovia 724

O volante é solto, as mãos se lançam para as têmporas. Sid as massageia, depois entope os ouvidos com os dedos indicadores.

O carro guina para a direita e um clarão surge no horizonte que muda para luzes coloridas e vem em direção ao carro. Os olhos de Sid ardem, o brilho queima as pupilas. As luzes aumentam a velocidade e o tamanho. Próximas de se chocarem com o automóvel desviam para o céu, deixam um rastro fosforescente.

Sid retoma o controle do volante e acelera.

A música retorna de forma brusca, seguida por uma estridência.

O rádio libera faíscas e fumaça. Implode.

As luzes voltam. Voam próximas ao asfalto disparando feixes dourados na direção do Mustang; acertam um dos pneus traseiros, os vidros do carro se estilhaçam e o veículo atravessa a rodovia.

Invade o acostamento e entra no milharal.

As luzes somem.

O veículo rasga a plantação e após avançar alguns metros colide em algo. Sid ganha um hematoma na testa, um nariz quebrado e três costelas fraturadas. Abre a porta do carro e se arrasta para fora. Ao levantar encontra um espantalho esparramado sobre o capô.

Kapersbaki olha para o porta-malas. O coração galopa no peito. Não há mais ninguém lá.

Ao longe Sid ouve o som de palha sendo pisada.

Arranca o revólver da cintura e checa as balas. Gira o tambor, engatilha. Começa a tossir, cospe sangue e um dos incisivos. Limpa a boca com as costas das mãos. Ao respirar sente uma agulhada, tosse mais uma vez.

Ouve o farfalhar de palha e olha para trás.

Vê o carro fumaçando, mas não encontra o espantalho.

Corre. Sangue inundando a boca. Mais dor ao respirar.

Sid interrompe a fuga, empunha a arma. O fôlego abandona seus pulmões, o medo entala na garganta, a visão fica turva. A boca ganha um toque rançoso, o corpo fica dormente.

Um vulto se aproxima pela lateral esquerda e ataca. A lâmina desce violenta, corta o ar.

O motorista desvia e dispara várias vezes. Cambaleia e começa a tossir.

O Espantalho avança e usa a foice mais uma vez.

Sid sente um repuxão na mão e depois algo frio escorre do pulso. Nota os esguichos, a carne rósea.

Cai de joelhos.

Páginas: 1 2 3

Wan Moura
Rodovia 724

O volante é solto, as mãos se lançam para as têmporas. Sid as massageia, depois entope os ouvidos com os dedos indicadores.

O carro guina para a direita e um clarão surge no horizonte que muda para luzes coloridas e vem em direção ao carro. Os olhos de Sid ardem, o brilho queima as pupilas. As luzes aumentam a velocidade e o tamanho. Próximas de se chocarem com o automóvel desviam para o céu, deixam um rastro fosforescente.

Sid retoma o controle do volante e acelera.

A música retorna de forma brusca, seguida por uma estridência.

O rádio libera faíscas e fumaça. Implode.

As luzes voltam. Voam próximas ao asfalto disparando feixes dourados na direção do Mustang; acertam um dos pneus traseiros, os vidros do carro se estilhaçam e o veículo atravessa a rodovia.

Invade o acostamento e entra no milharal.

As luzes somem.

O veículo rasga a plantação e após avançar alguns metros colide em algo. Sid ganha um hematoma na testa, um nariz quebrado e três costelas fraturadas. Abre a porta do carro e se arrasta para fora. Ao levantar encontra um espantalho esparramado sobre o capô.

Kapersbaki olha para o porta-malas. O coração galopa no peito. Não há mais ninguém lá.

Ao longe Sid ouve o som de palha sendo pisada.

Arranca o revólver da cintura e checa as balas. Gira o tambor, engatilha. Começa a tossir, cospe sangue e um dos incisivos. Limpa a boca com as costas das mãos. Ao respirar sente uma agulhada, tosse mais uma vez.

Ouve o farfalhar de palha e olha para trás.

Vê o carro fumaçando, mas não encontra o espantalho.

Corre. Sangue inundando a boca. Mais dor ao respirar.

Sid interrompe a fuga, empunha a arma. O fôlego abandona seus pulmões, o medo entala na garganta, a visão fica turva. A boca ganha um toque rançoso, o corpo fica dormente.

Um vulto se aproxima pela lateral esquerda e ataca. A lâmina desce violenta, corta o ar.

O motorista desvia e dispara várias vezes. Cambaleia e começa a tossir.

O Espantalho avança e usa a foice mais uma vez.

Sid sente um repuxão na mão e depois algo frio escorre do pulso. Nota os esguichos, a carne rósea.

Cai de joelhos.

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