Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Wan Moura
Sou uma alma fragmentada que geralmente caminha beirando o precipício. Já acordei nas Montanhas da Loucura e já passei pelo Desfiladeiro do Medo. Peguei carona com o dono do Buick 8 e já fui mordido por um cão, Cujo dono era O Iluminado. Eu durmo em criptas e tento colaborar com O Corvo que, dia após dia, consome meu Coração Satânico. Enfim, esse sou eu! Canceriano, negro de cor e coração nefasto, viciado num bom e velho Rock, um tatuado nascido sob o segundo dia de um Julho de 1989, eletricista como ganha pão e que escreve com o nobre intuito de espalhar um amargo veneno cáustico no ar, apenas para admirar o caos de camarote. Um ser bizarro, praticante da Lei de Talião e apaixonado pelo que é macabro e obscuro. Wan Moura é uma centelha mefistofélica vivendo clandestinamente na capital maranhense. Sou tudo isso e nenhuma molécula a mais.
E-mail: wandersonwmoura@gmail.com
Wattpad: WanMoura






Rodovia 724

Vê a mão ainda com o dedo no gatilho descansando sobre as folhas secas, olha para o osso borbulhando sangue e sorri incrédulo. Não percebe o encontro da foice com a sua nuca criando um corte diagonal.

A cabeça despenca do pescoço; rola para longe do corpo que se debate, irrigando a plantação com sangue.

Longe dali, Jennifer corre com as mãos amarradas para as costas. Nos tímpanos ainda carrega o som dos disparos feitos por seu raptor.

Ela tropeça e cai. A boca se enche de terra e folhas.

A mulher fica de pé com dificuldade. Vomita e corre assim que ouve algo despedaçando as entranhas do milharal. Pensa naquela coisa feita de palha matando o sequestrador; olhos feitos de pedras vermelhas e uma foice com sede de sangue.

O Espantalho a alcança. Ela grita. Escorrega a tempo da foice arranhar sua costa e cortar a corda no processo.

Jennifer cai.

O Espantalho desce a lâmina; A mulher gira para o lado e o monstro erra.

Ela rasteja, tenta fugir. A Coisa alcança seu tornozelo.

Jennifer esperneia, chuta. Liberta-se. O monstro de palha rosna.

A mulher fica de pé.

Foge. O rosto num banho de sangue e terra.

Jennifer abre caminho entre a plantação. Tropeça, levanta, grita. O monstro lança a foice, acerta o ombro da mulher e ela despenca. Se arrasta, alcança o asfalto, gira para a Rodovia. Olha para trás e vê a fera a observando do milharal.

Jennifer se ajoelha, chora. Agradece a sorte.

Atrás dela surgem luzes sibilando. Ela as vê e grita, mas seus pedidos de socorro são contidos. A claridade queima os olhos da mulher e as luzes a arrastam.

Corroem a carne.

Roem os ossos.

Apenas mais uma noite normal na Rodovia 7 2 4.

 

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Wan Moura
Rodovia 724

Vê a mão ainda com o dedo no gatilho descansando sobre as folhas secas, olha para o osso borbulhando sangue e sorri incrédulo. Não percebe o encontro da foice com a sua nuca criando um corte diagonal.

A cabeça despenca do pescoço; rola para longe do corpo que se debate, irrigando a plantação com sangue.

Longe dali, Jennifer corre com as mãos amarradas para as costas. Nos tímpanos ainda carrega o som dos disparos feitos por seu raptor.

Ela tropeça e cai. A boca se enche de terra e folhas.

A mulher fica de pé com dificuldade. Vomita e corre assim que ouve algo despedaçando as entranhas do milharal. Pensa naquela coisa feita de palha matando o sequestrador; olhos feitos de pedras vermelhas e uma foice com sede de sangue.

O Espantalho a alcança. Ela grita. Escorrega a tempo da foice arranhar sua costa e cortar a corda no processo.

Jennifer cai.

O Espantalho desce a lâmina; A mulher gira para o lado e o monstro erra.

Ela rasteja, tenta fugir. A Coisa alcança seu tornozelo.

Jennifer esperneia, chuta. Liberta-se. O monstro de palha rosna.

A mulher fica de pé.

Foge. O rosto num banho de sangue e terra.

Jennifer abre caminho entre a plantação. Tropeça, levanta, grita. O monstro lança a foice, acerta o ombro da mulher e ela despenca. Se arrasta, alcança o asfalto, gira para a Rodovia. Olha para trás e vê a fera a observando do milharal.

Jennifer se ajoelha, chora. Agradece a sorte.

Atrás dela surgem luzes sibilando. Ela as vê e grita, mas seus pedidos de socorro são contidos. A claridade queima os olhos da mulher e as luzes a arrastam.

Corroem a carne.

Roem os ossos.

Apenas mais uma noite normal na Rodovia 7 2 4.

 

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